A Poste Italiane, empresa estatal responsável pelos correios e serviços financeiros da Itália, lançou uma oferta pública para adquirir 100% das ações da Telecom Italia, controladora da TIM Brasil, em uma transação avaliada em cerca de R$ 80 bilhões.

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Oferta pública e estrutura do negócio

A proposta foi iniciada em 20 de julho, com prazo para adesão dos acionistas até 11 de setembro, e recebeu aprovação unânime do conselho da Telecom Italia em 18 de julho. O valor total da oferta é de € 10,8 bilhões, divididos entre pagamento em dinheiro (€ 1,67 por ação da TIM) e emissão de ações da própria Poste Italiane (0,218 ação nova por cada ação da TIM). A valorização das ações da Poste desde março elevou o montante para cerca de € 13 bilhões, equivalente a R$ 80 bilhões na cotação atual.

O prêmio da oferta supera em pouco mais de 9% o preço das ações da TIM antes do anúncio.

Controle estatal e histórico da aquisição

O controle da Telecom Italia não será transferido por uma venda direta, mas por meio de um processo que já vem se desenrolando há mais de um ano. Em fevereiro de 2025, a Poste Italiane adquiriu 64% da estatal italiana Cassa Depositi e Prestiti, em seguida comprou 15% da francesa Vivendi em março e mais 2,51% em dezembro, elevando sua participação para 27,32% e tornando-se o maior acionista da Telecom Italia. A oferta atual consolida o controle total da companhia pela estatal italiana.

Essa operação encerra a década em que a Vivendi foi a maior acionista e transfere o comando da antiga operadora italiana para o governo italiano, por meio da empresa estatal de correios.

Impactos para a TIM Brasil e próximos passos

Enquanto a oferta estiver em curso, a TIM Brasil manterá suas operações sem alterações. A Telecom Italia informou que não revisará seu plano de negócios até a conclusão da oferta, prevista para o final de 2026, sujeita à aprovação de órgãos regulatórios, incluindo a Anatel no Brasil e a autoridade antitruste italiana, que já iniciou investigação.

Matteo Del Fante, CEO da Poste Italiane, afirmou que o Brasil é um ativo estratégico para o grupo e que planejam realizar investimentos significativos no país. Para os acionistas da TIM Brasil (código TIMS3 na B3), as dúvidas centrais giram em torno de possíveis mudanças no conselho, política de dividendos e plano de investimentos, que deverão ser esclarecidas após o término da oferta.

Os resultados do segundo trimestre da Telecom Italia serão divulgados em 29 de julho, servindo como referência para o mercado durante o processo de adesão.

O acordo ocorre enquanto fundos como o KKR demonstram interesse na Telecom Italia, mas a estatal italiana segue na liderança para assumir o controle total da empresa.

Gráfico mostrando que o controle da TIM Brasil pode passar para a estatal italiana Poste Italiane
Controle da TIM Brasil pode passar à estatal italiana Poste Italiane (Imagem: reprodução/analistas.com.br)