A DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial, tomou a dianteira na corrida global ao lançar modelos que entregam desempenho elevado com custos muito inferiores aos praticados pela OpenAI, responsável pelo ChatGPT.

Adicione ao Google Notícias
Dona do ChatGPT diz que debate sobre data centers nos EUA é legítimo, mas China tenta interferir nele
Dona do ChatGPT diz que debate sobre data centers nos EUA é legítimo, mas China tenta interferir nele (Imagem: reprodução/oglobo.globo.com)

DeepSeek e o avanço chinês em IA generativa

Desde seu lançamento em janeiro, o DeepSeek R1 causou impacto imediato no mercado ao ultrapassar o ChatGPT em número de downloads na App Store, forçando seus concorrentes a acelerar lançamentos. A empresa divulga abertamente seus parâmetros, reforçando a eficiência e transparência de seus modelos. A DeepSeek simboliza a ambição da China em IA, impulsionando gigantes como Alibaba, Baidu e ByteDance a expandir portfólios e reduzir preços.

Entre os concorrentes locais, a Alibaba se destaca com a família Qwen, especialmente o Qwen 3.5. A empresa apresenta esse modelo como preparado para a "era da IA agente", capaz de executar tarefas complexas de forma autônoma, entregando ganhos expressivos em desempenho e custo. A Baidu aposta no Ernie, enquanto a ByteDance usa seu assistente Doubao para levar IA ao consumidor em massa, apoiada por sua base de centenas de milhões de usuários.

OpenAI enfrenta restrições e acusações na China

A OpenAI anunciou que a partir de 9 de julho restringirá o acesso à sua API para usuários na China, medida que já leva gigantes chineses como Baidu e Alibaba a lançar programas de migração para captar os desenvolvedores afetados. A Baidu oferece tokens gratuitos e serviços para facilitar a transição para sua plataforma Ernie, enquanto a Alibaba Cloud aposta em preços mais baixos que o GPT-4 da OpenAI.

Além disso, a OpenAI denunciou que contas ligadas à China usaram o ChatGPT para gerar conteúdo em inglês nas redes sociais com o objetivo de fomentar resistência à expansão de data centers nos EUA. Essa operação de influência tenta minar a confiança nas instituições americanas. A tensão geopolítica reforça o caráter estratégico da disputa por IA, que ultrapassa o campo tecnológico para envolver interesses econômicos e políticos.

Brasil fecha acordos para o ingresso de mais dois países no Mercado Único de aviação na América do Sul
Brasil fecha acordos para o ingresso de mais dois países no Mercado Único de aviação na América do Sul (Imagem: reprodução/oglobo.globo.com)

Modelos chineses ganham espaço por custo e eficiência

A vantagem decisiva dos modelos chineses está no custo. Enquanto laboratórios americanos investem bilhões em infraestrutura e chips avançados, as empresas chinesas focam em eficiência, otimização de software e uso mais inteligente do hardware disponível – resposta às restrições americanas na exportação de chips. Essa estratégia permite oferecer soluções competitivas e acessíveis, atraindo usuários globais como a Airbnb, que declarou confiar no modelo Qwen da Alibaba por sua rapidez e economia.

O Kimi K2 Thinking, da Moonshot AI, e o GLM da Zhipu AI também são modelos chineses open-source de alta performance, competindo diretamente com gigantes como OpenAI, Google e Anthropic em benchmarks mundiais.

Aquecimento da indústria local e futuro da disputa

A saída da OpenAI da China acelerou a corrida entre empresas locais para preencher o vazio deixado. Além dos modelos, a indústria chinesa investe em hardware nacional, como GPUs e servidores, buscando autonomia tecnológica. O governo chinês apoia estrategicamente o setor para garantir liderança em produtividade e segurança econômica.

Essa fase da disputa global por IA é marcada não só pela busca do modelo mais potente, mas pela combinação de desempenho e custo, onde a China mostra vantagem crescente. O próximo movimento da OpenAI e as respostas das gigantes americanas, que já lançaram modelos semi-abertos, serão decisivos para o equilíbrio desse mercado cada vez mais multipolar e competitivo.