Assistir a televisão por mais de quatro horas diárias está ligado a uma queda significativa nas funções cognitivas e ao aumento do risco de doenças neurodegenerativas, como a demência. Essa conclusão vem de uma meta-análise que reuniu dados de mais de um milhão de adultos e idosos.

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Riscos do sedentarismo prolongado diante da TV

O estudo da Clínica do Olho aponta que passar tempo demais na frente da TV é um indicador claro de comportamento sedentário, associado a doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Esses males prejudicam a saúde do cérebro e dos olhos. À medida que o tempo na frente da TV aumenta, o volume do cérebro diminui especialmente em áreas ligadas à memória, linguagem e comunicação, mesmo quando o nível de atividade física é levado em conta.

O sedentarismo também provoca a redução da massa cinzenta do cérebro, região responsável pela tomada de decisões e controle dos músculos. Pesquisadores da Crônicos do Dia a Dia mostram que cada hora extra de TV resulta na perda de 0,5% do volume dessa massa, contribuindo para o declínio cognitivo ao longo dos anos.

Excesso de informação e falta de atenção

O consumo prolongado e passivo de televisão leva a uma sobrecarga de informações superficiais conhecida como brain rot, ou “apodrecimento cerebral”. A Amil explica que essa condição causa fadiga mental, dificuldade para se concentrar e ansiedade. O cérebro passa a buscar satisfação rápida, o que gera dependência digital e reduz a motivação para interações sociais reais, aumentando o isolamento e prejudicando habilidades sociais.

Especialistas alertam que o excesso de telas afeta especialmente o humor e a capacidade de atenção. A troca constante por conteúdos rápidos e pouco desafiadores diminui o foco e estimula comparações irreais nas redes sociais, prejudicando a autoestima e o equilíbrio mental.

Diferenças entre TV e outras telas

Pesquisas do Reino Unido revelam que, enquanto o tempo excessivo diante da TV está associado ao declínio cognitivo, o uso do computador gera efeito oposto. A atividade mental exigida para navegar, ler e aprender online estimula o cérebro, reduzindo o risco de demência em até 15% para cada hora diária de uso. Em contraste, cada hora adicional de TV eleva esse risco em 24%.

Publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo acompanhou mais de 146 mil idosos durante 12 anos. Mesmo aqueles que praticavam exercícios regularmente e passavam muitas horas assistindo à TV tiveram risco maior de demência. Isso mostra que a qualidade do tempo sedentário pesa tanto quanto a quantidade de atividade física.

Cena de uma televisão
Cena de uma televisão (Imagem: reprodução/metropoles.com)

Recomendações para proteger o cérebro

Especialistas indicam limitar o tempo diante da TV a menos de quatro horas por dia e substituir parte desse tempo por atividades que estimulem o cérebro, como leitura, jogos mentais e contato social. Exercícios aeróbicos moderados, como caminhada rápida e dança, são recomendados para preservar a saúde cerebral e geral.

Heather Snyder, vice-presidente da Alzheimer’s Association, destaca que a relação entre TV e declínio cognitivo é associativa, não causal. Ela defende estilo de vida ativo e engajado cognitivamente para prevenir o avanço da doença. A forma como a pessoa escolhe ocupar o tempo sentado impacta a saúde cerebral a longo prazo.

O excesso de televisão compromete funções cerebrais, provoca problemas visuais e reforça o sedentarismo, prejudicando a qualidade de vida. A ciência ainda investiga os mecanismos dessa relação, mas o alerta é claro: diminuir o tempo de tela passiva protege o cérebro e o corpo.

O próximo passo dos estudos vai focar em entender como diferentes tipos de mídia afetam o cérebro e quais intervenções conseguem reverter ou minimizar os danos provocados pelo sedentarismo e excesso de informação.

Via Clínica do Olho, Crônicos do Dia a Dia, Amil, Metrópoles