Celular causa câncer? Teoricamente não. Mas ideia não é descartada.

Com certeza você já ouvir que usar celular demasiadamente causa câncer devido a radiação emitida pelo mesmo. Desde a década passada estudos são feitos em cima dessa questão, mas resultados são sempre contraditórios. Essa semana uma nova conclusão preliminar mostrou que não há motivos para temer. Entenda abaixo.

O NTP (Programa Nacional de Toxicologia) do departamento de saúde e serviços humanos dos EUA, divulgou seus resultados preliminares este mês envolvendo um estudo sobre a radiação emitida pelos celulares. Eles causam câncer? “Vimos efeitos positivos e negativos” em ratos e camundongos, diz o pesquisador sênior John Bucher — mas nada definitivo, ou que possa ser aplicado diretamente para humanos.

Foram feitos dois estudos envolvendo ratos e camundongos. Eles foram submetidos de 10 em 10 minutos, durante 9 horas por dia a exposição direta da rádiofrequência, a mesma emitida por celulares. Os testes duravam durante toda a vida dos animais, que normalmente é algo entre 2 anos.

celular cancer

Os ratos foram expostos a radiação entre 1,5 e 6 watts por quilograma de peso corporal. Enquanto isso, os camundongos receberam de 2,5 a 10 W/kg. A quantidade máxima de exposição permitida para humanos é de 1,5 W/kg. Ou seja, eles receberam doses de radiação bem acima do permitido a humanos.

Bucher explica esse excesso: “Essas descobertas não devem ser diretamente extrapoladas para o uso humano de celulares”, diz ele em comunicado.

Quanto aos resultados, digámos que foram surpreendentes e preocupantes. Os Ratos machos expostos aos níveis mais altos de radiação tiveram maior incidência de tumores malignos no tecido que cobre os nervos no coração. Isso não se aplica para as fêmeas, nem para os camundongos.

Os ratos machos e fêmeas expostos à radiação tinham maior propensão à cardiomiopatia, doença que causa danos ao tecido cardíaco. No entanto, os camundongos não foram afetados.

Além disso, ratos e camundongos expostos à radiação desenvolveram mais tumores no cérebro, próstata, fígado, pâncreas, glândula pituitária e glândula adrenal. Os pesquisadores não conseguiram concluir se a radiação era responsável.

Os filhotes de ratos nasceram com peso mais baixo quando suas mães eram expostas a altos níveis de radiação durante a gravidez. No entanto, eles cresciam até o tamanho normal.

E curiosamente, os ratos expostos à radiação viviam mais tempo do que os outros no grupo de controle. Talvez a radiação reduza a inflamação, ou talvez seja apenas uma coincidência.

O que esses resultados significam?

Na realidade Bucher concluiu que os resultados não agregaram muito ao que se sabia anteriormente, de que os celulares não causam câncer. Ele mesmo diz que “não alterei a maneira como uso o celular”.

Ou seja, embora os resultados com os ratos e camundongos mostrou que a radiação alterou a vida deles, ainda não dá para levar isso aos humanos, não é conclusivo, pelo menos por enquanto.

Otis Brawley, diretor médico e científico da American Cancer Society, concorda com o doutor Bucher. Ele diz que a ligação entre o uso de celulares e câncer é muito fraca. Até agora, não há prova de que isso aconteça.  De qualquer modo ele diz: “Se você está preocupado com esses dados sobre animais, use um fone de ouvido.”

Jeffrey Shuren, da FDA, diz em comunicado que “os limites atuais de segurança para a radiação celular permanecem aceitáveis para proteger a saúde pública”. Ele acrescenta: “mesmo com o uso diário frequente pela grande maioria dos adultos, não vimos um aumento em tumores cerebrais”.

Mas os resultados são preliminares. O mesmo relatório acima sobre os ratos e camundogos, agora serão analisados por outros cientistas de fora do NTP no final de março. Eles podem dar resultados com mais detalhes.

Via Tecnoblog com informações LA TimesWashington Post.

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