Por algum motivo, o Google nunca deu muita bola para tablets. Estamos no terceiro smarthphone oficial do grande Sauron da internet, tablets de dezenas de marcas saem pelo ladrão do mercado, mas o Google pareceu nunca se importar muito com o modelo.

Vemos pelo péssimo incentivo que a dona do GMail deu ao Android Honeycomb desde o início, o que refletiu na lamentável quantidade de apps para a versão que temos hoje, mesmo depois de tanto tempo após o lançamento, e na forma como as tábuas mágicas foram ignoradas na keynote de apresentação do Ice Cream Sandwich. Além do anuncio de que a versão 4.0 do sistema seria o SO definitivo tanto para telefones quanto para tablets Android, nada mais foi dito por Mathias Duarte e seus amigos que apresentaram a coisa toda.

Só que, contudo, porém, toda vida, entretanto podemos ver um Google Tablet (Nexus Tab?) lá pela metade do ano que vem, afinal. Quem disse foi próprio Eric Schmidt, nessa entrevista aqui dada a um jornal italiano. Nela, tio Schmith diz que o Google estaria “trabalhando duro” em um tablet de “alta qualidade” para ser lançado ao mais tardar em junho do ano que vem. Eric deixou claro que a ideia é a pior possível: bater de frente com iPad.

“Steve Jobs foi o Michelangelo do nosso tempo. Um amigo e um carácter único, capaz de combinar criatividade e gênio visionário com uma habilidade extraordinária de engenharia. Às vezes você encontra pessoas que têm uma coisa ou outra. Mas não os dois juntos. Steve percebeu o potencial revolucionário do formato e criou um produto surpreendente como o iPad. (…). Nós nos próximos seis meses pretendemos comercializar um tablet de alta qualidade. E em comunicações móveis, o mercado de smartphone, você vai ver a concorrência brutal entre a Apple e o Android do Google. “

-ERIC SCHMITH

O que ele não deixou claro foi um dos pontos mais importantes: quem fabricará o tablet. O CEO não disse se pretende manter a fabricação em casa ou se vai abrir parceria com alguma OEM, como faz com a linha Nexus de smartphones.  Assim, de cara, podemos chutar a Motorola, por causa da recente compra dela pelo Google é aquilo tudo. Espero que não. A Motorola não tem exatamente nos surpreendido, o Xoom é talvez o pior tablet não-xhing-ling no mercado, tanto em vendas quanto em qualidade, e o Xoom 2 dois tem recebido critica negativa atrás de crítica negativa nos blogs ao redor do mundo.

Acredito que deixar a fabricação a cargo, sei lá, da ASUS, ou até de uma Samsung da vida faria mais sentido. A ASUS está começando a vender o sucessor do seu Transformer, o MEU e só meu Transformer Prime e quem já viu ele por ai, gostou.  E a Samsung fez um bom trabalho no Galaxy Tab 10.1, apesar de qualquer semelhança com o iPad NÃO ser mera coincidência.

Mas sério, só eu acho que o Google deveria sair dessa de iPad Killer e blábláblá? Ele não tem material pra isso. Pode vim a ter, claro, mas 6 meses me parece um tempo muito curto pra oferecer o necessário para representar concorrência de verdade ao iPad: conteúdo.

As vendas astronômicas do Kindle Fire estão ai para nos mostrar que o consumidor não quer telas enormes e especificações matadoras, ele quer conteúdo. O Fire é pequeno, 7 polegadas, e não tem lá especificações grandiosas, mas está vendendo 1 milhão de unidades por semana. Isso é, por exemplo, mais do que todos os Xooms ou Playbooks já desovados vendidos desde o laçamento de ambos. Por que isso? Conteúdo, conteúdo, conteúdo.

Mas claro, não é só isso. Sim, o Kindle Fire oferece com ele todo o mar de livros (e filmes!) que a Amazon já disponibiliza nos seus Kindles, e é vendido por um preço que o consumidor quer pagar, $200 obamas, diferente dos inacreditáveis $800 dolares que a Motorola cobra no Xoom. Só que o Fire estar voando das prateleiras da Amazon também se deve em muito ao fato da Amazon finalmente entender que não se compete facilmente com alguém que cria um mercado inteiro do nada, como a Apple fez com o iPad e o mercado de tablets. E o que o iPad tem além de um ótimo hardware e ser insanamente bonito? TODOS os filmes, livros, jogos e músicas da iTunes Store.

Conteúdo.

A Amazon deu a volta no mercado e trabalhou com o que sabe. Ela  não propõe o Kindle Fire a ser um iPad killer, nem mesmo a ser um tablet. O Kindle Fire é um… Kindle, um aparelho para ler livros e de quebra rodar alguns filmes e brincar com um Angry Birds ou algum outro app Android da vida eventualmente. Nem de Android dá pra chamar, aliás, vista a profundidade das modificações feitas pela Amazon no sistema.

É isso que quero dizer quando falo que se o Google não quiser seu tablet indo pra mesma cova que o TouchPad, o Playbook, o Xoom, ou todos os outros fracassados, ele não pode bater de frente com quem manda no jogo. É burrice. Não faz sentido. Ele precisa ter uma carta na manga, como a Amazon tinha (e tem!), um diferencial, ou não vai conseguir.

Pode ser até que ele tenha a tal carta e nós não saibamos, afinal o Google é uma empresa das mais valiosas do mundo e não está onde está por acaso do destino, logo não deve ser (muito) subestimada. Mas aqui, agora, nada me ocorre. O Google tem o Google Music, sim, mas este é um serviço tristemente iniciante e enquanto só funciona nos Estados Unidos, a Apple chega com a iTunes Store no Brasil. Percebem?

Serio Google, gosto de você, tu facilita minha vida pacas, mas saia dessa de brigar com o iPad. É cilada, Bino.

via [Corriere]

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